domingo, 22 de abril de 2012

Eternamente nós...

Certo dia se chega à conclusão que tudo podia ter sido diferente. Até o modo de olhar as coisas ao nosso redor seria matizado se tivéssemos a oportunidade de mudar o caminho percorrido. Mas a vida não perdoa os momentos fugidios. O que passou não volta mais. E não temos como recuperar os rastros que deixamos nos atalhos por onde trilhamos. E aquela pessoa a quem não soubemos perdoar quando foi preciso já reconstruiu sua vida e a nós resta apenas a solidão... Esta foi a maneira mais fácil que encontrei para perder você. Não saber ouvir quando tinha tudo a explicar. Minhas palavras proferidas, num rompante, onde as emoções borbulhavam, feriram-no de tal maneira que levarão anos para apagar. Lembro-me, como se tivesse acontecido há instantes, do seu sorriso e do seu gesto de resignação aos poucos se afastando para sempre... Talvez eu não fosse a Julieta por quem procurou, mas você era o Romeo por quem procurei a minha vida inteira. Da janela do sótão onde me refugiei depois de sua saída fiquei observando-o sumir naquela estrada longa e dolorosa. O tempo esqueceu-se de mim e a noite me flagrou ali detida sobre a mureta da janela, sem perceber as estrelas, a lua que timidamente lançavam seu brilho sobre mim... Se me permitido fosse poder retroceder o tempo, não mais seria este ser autoritário e exigente como fui, reeducaria meus sentimentos para que não provocasse nenhuma ranhura no amor que construímos em base tão frágil. Nada me faria romper em impropérios contra esta pessoa que me acolheu em seus braços quando mais precisei. Sem cobrar nada, se foi por minha intolerância. Hoje sei mais da vida pelas coisas que permiti serem tiradas de mim e não pelas façanhas que outrora deixei gravar na história de minha permanência neste planeta. O amor que senti por você no passado é presença viva em mim. Nada mudou. As coisas permanecem no mesmo lugar desde a sua partida, mas não têm o mesmo sentido quando as olho. Elas transmitem um misto de dor e alegria por eu saber que as tocou e não mais irá fazê-lo. Por vezes acho que ficarei louca de viver assim das lembranças que ao mesmo tempo em que atormentam, acalentam. E de saber que joguei a felicidade de tê-lo ao vento por desconfianças e sandices. Vivo nesta cilada da ambigüidade do que poderia ter sido. As marcas de expressões começam a surgir em minha face, não aquelas que gostaria de ter por ter vivido a momentos afortunados e sim aquelas por ter sobrevivido às mais tenebrosas tempestades mentais, onde somente eu tenho acesso e posso desfiar as contas do meu rosário de dor... Sei que deve estar se perguntando que com tenra idade tenha vivido tantas coisas. Não se iluda, meu amigo! No teor da criatividade posso sentir tudo sem ter vivenciado nada... Autor bette vittorino

2 comentários:

Elzinha disse...

Acho que isso chama-se "experiência" e só a temos no "depois"
Que bom seria se pudéssemos mudar o dia de ontem, mas ainda temos o hoje para refletirmos e o amanhã para sermos melhores.
Um belo texto de reflexão.
Um beijo

bette vittorino disse...

Fico muito feliz quando encontro um texto meu num blog de pessoa tão linda como você!
Adorei viajar nesse paraíso... Beijos